
| SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE 20 ANOS |
Comunidade aprende saúde ouvindo rádio
Publicado em 13.12.2008
Democratizar informação é um caminho para corrigir desigualdade na proteção à vida e à Saúde. Ter acesso às formas corretas de cuidar do corpo e do ambiente para uma existência saudável é o esperado quando se pensa nisso. Melhorar o acesso à informação pública e científica e ampliar meios usados para isso tem sido um desafio. No Recife um grupo abriu espaço, na rádio comunitária. para um programa semanal de Saúde, confira a experiência em mais uma reportagem semanal sobre os 20 anos do SUS.
Veronica Almeida
valmeida@jc.com.br
É com a ajuda das ondas da rádio comunitária Plenitude FM que o Alto dos Coqueiros e adjacência, em Beberibe, na Zona Norte do Recife, aprende a se proteger ou lidar com as doenças. Toda quinta-feira, das 11h às 12h, o estúdio recebe um médico ou profissional de saúde do SUS para esclarecer dúvidas e orientar os ouvintes. O programa Saúde na Comunidade nasceu há dois anos de uma iniciativa da rádio e ganhou apoio dos médicos residentes e equipes que atuam no Programa de Saúde da Família (PSF) do Córrego da Jaqueira, na mesma área. Transformou-se num espaço permanente para promoção do bem-estar.
Promover saúde é a lógica inteligente da política estabelecida no País, há 20 anos, com os princípios do SUS desenhados na Constituição de 1988. Era a hora, ali reconhecida, depois de muita luta dos sanitaristas, de dar mais espaço à prevenção em vez de agir apenas quando a enfermidade já estava instalada. E comunicar, com a finalidade de informar e educar, era considerada já naquele momento ferramenta importante para tornar o cidadão mais forte contra as doenças, pois pelo menos estaria a par do que pode fazer por si e pelo coletivo e de exigir seus direitos também.

Elias Fidélis e Agente de Saúde Maria da Conceição
Programa de Saúde da Família
O programa da rádio do Alto dos Coqueiros chega às casas pela freqüência 105.3 ou no acesso à internet (www.radio Plenitude.com.br). “A rádio comunitária surgiu há cinco anos, com programação evangélica. Estamos em processo de legalização junto à Agência Nacional de Telecomunicações e temos mais de 70 mil ouvintes”, explica o radialista evangélico Elias Fidelis, que fundou a rádio com os irmãos Josias e Eudes e resolveu abrir espaço para um programa de saúde.
“Percebíamos que as pessoas da comunidade tinham muitas carências e precisavam se informar mais sobre as doenças”, explica Elias Fidelis. Os ouvintes enviam suas dúvidas pelo telefone ou pela internet. O entrevistado convidado responde na hora. Além das orientações sobre cuidados com o corpo e o ambiente, o programa informa sobre direitos no SUS. A parceria que começou com o PSF do Córrego da Jaqueira, estudantes e médicos em formação no posto, agora se estende a outros postos de saúde e a profissionais do Hospital Universitário Oswaldo Cruz.
Aparecida Silva, uma das ouvintes mais fiéis, não perde um programa. “Sempre faço perguntas e meus clientes na Lan House também participam”, conta. A agente comunitária de saúde Maria da Conceição Roque, há 13 anos trabalhando na comunidade, é colaboradora permanente no estúdio. “Estamos fazendo tratamento contra filariose na área. O programa é importante para mobilizar e esclarecer as dúvidas das pessoas”, explica. Para ela, nas campanhas locais, a rádio comunitária tem papel importante. “A comunidade dá mais valor, pois conhece os locutores e entrevistados”, avalia.
“Esse programa é ótimo!”, diz, com entusiasmo, o médico Giliate Coelho, que faz residência em saúde da família e comunitária e é um dos primeiros parceiros do projeto. Ele, os colegas residentes, estagiários de saúde coletiva e graduandos de medicina participam do trabalho.“Nossa experiência mostrou maior engajamento e dedicação dos estudantes e residentes na realização dos programas na rádio do que na condução de grupos na comunidade”, acrescenta Coelho. Ele reconhece a importância da educação em saúde na orientação direta a grupos de moradores, mas considera necessária a atenção para novas formas de comunicação entre trabalhadores e usuários, como o uso da rádio comunitária. “Ajuda a garantir a integralidade do sistema de saúde”, argumenta.
Para Giliate, as rádios comunitárias são potenciais espaços de desenvolvimento de atividades de educação em saúde junto à população. “Grande parte das comunidades na periferia das grandes cidades possui rádios locais, o que possibilita às equipes de saúde testar novas formas de qualificar a sua comunicação com os usuários de sua área. A possibilidade de comunicação em massa concedendo às pessoas o direito de escolha (ouvir ou não a programação da rádio) nos parece uma forma mais democrática e eficaz de se fazer educação em saúde.”
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